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A Pacová lança a Chamada – Feminismos Populares em Defesa do Bem Viver e dos Territórios, voltada ao apoio à agenda de organizações feministas que atuam desde os movimentos e territórios, na luta por direitos, reparação e bem viver.

Em diálogo com a história das lutas feministas, a chamada tem como marco de referência o Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de março (8M) como data de mobilização coletiva e afirmação política, em sintonia com o legado de organização construído por mulheres como Nalu Faria (1958–2023).

Voltada a organizações feministas, coletivos e movimentos auto-organizados de mulheres, especialmente aquelas que atuam como defensoras da vida e dos territórios, a chamada busca apoiar iniciativas que ampliem a capacidade coletiva de enfrentar a violência, defender os territórios e afirmar outros modos de viver.

Sua construção se inspira nas lutas políticas de mulheres diversas que fazem do feminismo uma prática coletiva, radical e enraizada. Esse percurso é atravessado pela trajetória de Nalu Faria, cuja vida e militância seguem inspirando a organização das mulheres como força de transformação. Ao articular movimentos de mulheres, lutas populares e processos de formação política, Nalu contribuiu de maneira decisiva para a consolidação do feminismo popular no Brasil e no mundo.

Em sua atuação, enfrentou as bases do capitalismo racista e patriarcal ao afirmar a centralidade da vida frente à lógica do lucro, evidenciando o trabalho doméstico e de cuidados — historicamente realizado por mulheres — como pilar invisibilizado que sustenta o sistema. Militante feminista e educadora popular, foi uma das fundadoras da Marcha Mundial das Mulheres e teve papel central na difusão da economia feminista na América Latina como ferramenta de luta.

Esse legado orienta o apoio a iniciativas que colocam a vida no centro da política e fortalecem a defesa do corpo-território, da soberania alimentar e do bem viver.

É nesse horizonte que se afirma o feminismo popular, construído nas experiências concretas das mulheres que sustentam a vida e enfrentam cotidianamente estruturas de exploração, dominação e silenciamento. Seu fortalecimento é assumido aqui não apenas como objetivo de uma chamada, mas como compromisso ético-político que o ultrapassa.

Quando essas lutas são atravessadas pela violência e pela expropriação, não se colocam em risco apenas existências individuais, mas a própria vida coletiva. Esses impactos incidem de forma mais intensa sobre mulheres negras, indígenas e outras mulheres racializadas, marcadas por vulnerabilidades de classe — dimensões indissociáveis das opressões que estruturam a sociedade brasileira, como nos ensina Lélia Gonzalez.

Sobre esses corpos recai, com frequência, a acumulação de jornadas, em que o trabalho produtivo precarizado se soma ao trabalho de cuidados e reprodutivo, historicamente desvalorizado e mobilizado como mecanismo de controle. Por essa razão, esta iniciativa estabelece como prioridade o apoio a ações protagonizadas por mulheres negras, indígenas e outras mulheres racializadas, reconhecendo nelas as atrizes centrais da transformação social.

Apoio oferecido

As duas organizações selecionadas receberão um apoio financeiro direto de até R$ 1.500,00 cada, de uso livre e flexível, destinado ao fortalecimento institucional, à sustentabilidade das iniciativas e ao fortalecimento de ações realizadas em torno do 8M.

Além do recurso financeiro, as organizações contarão com apoio técnico ao desenvolvimento institucional no âmbito do Programa de Apoio a Organizações Populares (PAOP), respeitando seus tempos, formas de organização e prioridades.

A definição do uso do recurso será feita pelas próprias organizações, a partir de suas necessidades e demandas concretas.

Quem pode participar

Podem participar desta chamada:

  • Organizações feministas
  • Movimentos sociais
  • Coletivos e grupos feministas

Princípios da chamada

Esta chamada se orienta pelos seguintes princípios, construídos a partir dos aprendizados da escuta ativa com as organizações populares:

  • Valorização e apoio à auto-organização das mulheres
  • Autonomia das organizações na definição do uso dos recursos
  • Flexibilização e simplificação dos processos de apoio
  • Reconhecimento do trabalho territorial em defesa dos feminismos populares
  • Fortalecimento institucional, e não apenas financiamento por entregáveis
  • Compromisso com a justiça de gênero

Prazo da chamada

A chamada ficará aberta de 20 de fevereiro a 31 de março.

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