Manifestamos nossa solidariedade ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) da Bahia e às famílias camponesas acampadas em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador, que vêm sofrendo um despejo arbitrário, marcado por violações de direitos e falta de transparência jurídica.
É inaceitável que dezenas de famílias, que há cerca de dez meses vivem, produzem alimentos saudáveis e constroem coletivamente sua existência no território, sejam surpreendidas com a iminência de um despejo sem comunicação prévia adequada, sem tempo mínimo para organização e sem respeito à dignidade humana. A condução desse processo revela mais um episódio de criminalização da luta pela terra e de violência institucional contra famílias camponesas.
As famílias não reivindicam conflito. Reivindicam tempo, respeito e dignidade. Reivindicam o direito de colher o que plantaram, de desmontar com cuidado o que foi construído com esforço coletivo. O que está em disputa é o direito de existir, de produzir alimentos, de viver com paz e dignidade no campo.
Nos somamos ao chamado público do MPA Bahia e reafirmamos que nenhuma solução pode ser construída à base da violência, da coerção e da negação de direitos. Seguiremos atentos, solidários e mobilizados ao lado das famílias camponesas e de todas as organizações que lutam pelo direito à terra e pela justiça social.
A terra é para quem nela vive e trabalha.
Nossa solidariedade ao MPA Bahia e às famílias acampadas.