QUEM SOMOS
Solidariedade como método, justiça como horizonte
Sobre nós
A Pacová fortalece organizações populares – movimentos sociais e organizações de base comunitária – por meio de apoio financeiro, técnico e político. Atua a partir dos territórios, mobilizando recursos e construindo relações de confiança, autonomia e cooperação para fortalecer lutas por direitos, justiça social e climática e bem viver.
Teoria de Mudança
Por que filantropia solidária?
A filantropia, no Brasil e no mundo, é atravessada por uma tradição que historicamente reproduz assimetrias entre quem doa e quem recebe. Em muitos casos, o acesso a recursos vem acompanhado de condições, prioridades e formas de controle definidas por quem financia, enquanto organizações e comunidades precisam adaptar seus modos de agir às lógicas de quem detém os recursos. Essa dinâmica se mostra cada vez mais insuficiente diante dos desafios que enfrentamos, como as desigualdades sociais, raciais e de gênero, a emergência climática, as violências e as violações de direitos. Enfrentar esses desafios exige também repensar como os recursos são distribuídos, quem participa das decisões e quais relações são construídas a partir do financiamento.
Por isso, defendemos a filantropia solidária, uma forma de doar baseada em confiança, escuta, corresponsabilidade e respeito à autonomia de quem está na linha de frente das transformações sociais. Partimos de uma premissa simples: as organizações populares, movimentos sociais e organizações de base comunitária conhecem seus territórios, suas necessidades e os caminhos para enfrentar os problemas que vivem. O papel do financiamento não é determinar suas prioridades, mas criar condições para que possam seguir organizando, lutando e construindo respostas coletivas.
Essa perspectiva busca romper com a lógica da doação vertical, em que quem possui os recursos também concentra o poder de decidir como eles devem ser utilizados. A filantropia solidária entende o recurso como uma ferramenta para fortalecer sujeitos coletivos, ampliar sua autonomia e contribuir para processos de transformação. Por isso, aposta em relações de longo prazo, recursos mais livres e flexíveis e processos de apoio baseados menos no controle e mais na confiança, no diálogo e na responsabilidade compartilhada.
Também significa olhar para as causas estruturais das desigualdades. Fome, falta de moradia, insegurança alimentar, violências de gênero e raça e desemprego não existem de forma isolada, mas estão relacionados a estruturas como o racismo, o patriarcado, a concentração de renda e de terra e um modelo de desenvolvimento que produz desigualdades e degradação socioambiental. Apoiar quem atua sobre essas causas é, portanto, parte de uma filantropia comprometida com a justiça social e climática.
Para nós, doar é fazer escolhas políticas. É reconhecer que os recursos podem fortalecer lutas, ampliar vozes e contribuir para redistribuir poder. Na Pacová, buscamos colocar essa perspectiva em prática por meio do apoio financeiro, do desenvolvimento institucional integral e sistêmico, da articulação em rede e da construção de espaços de diálogo entre organizações populares e diferentes atores do campo filantrópico.
Acreditamos que o financiamento precisa existir para enfrentar as desigualdades, e não para reproduzi-las. Transformar a filantropia passa também por transformar as relações de poder que atravessam o dinheiro, as decisões e as possibilidades de quem recebe apoio.
Por que apoiamos movimentos sociais?
Os movimentos sociais têm um papel fundamental na construção e na defesa de direitos. Muitas das conquistas que hoje fazem parte da vida cotidiana foram resultado de organização e mobilização popular, da luta pelo acesso à terra e à moradia à defesa da educação, da democracia, dos direitos trabalhistas e da preservação dos territórios. Ainda hoje, movimentos sociais e organizações populares seguem atuando na linha de frente diante das desigualdades, das violações de direitos e dos desafios sociais e ambientais que atravessam o país.
Na Pacová, apoiá-los parte do reconhecimento de que quem vive e se organiza nos territórios também produz conhecimento, constrói respostas e transforma realidades. Movimentos sociais e organizações de base comunitária desenvolvem formas coletivas de cuidar, produzir, comunicar, reivindicar direitos e enfrentar problemas que muitas vezes permanecem invisíveis para instituições e políticas públicas. São sujeitos fundamentais para a construção de uma sociedade mais democrática, justa e sustentável.
Ao mesmo tempo, essas organizações enfrentam obstáculos importantes para sustentar sua atuação. O acesso a recursos financeiros ainda é desigual e, muitas vezes, os modelos tradicionais de financiamento impõem burocracias, prioridades e condições que pouco dialogam com a realidade dos territórios. Apoiar movimentos sociais significa, portanto, também contribuir para que tenham condições materiais de continuar organizando, incidindo e construindo suas próprias respostas.
É a partir dessa perspectiva que a Pacová busca construir suas relações de apoio. Não partimos da ideia de que sabemos o que os movimentos precisam ou de que devemos conduzir sua atuação. Partimos da escuta e do reconhecimento de sua autonomia. Nosso papel é contribuir com recursos financeiros, desenvolvimento institucional, articulação em rede e outros apoios que possam fortalecer suas estratégias e ampliar sua capacidade de ação.
Acreditamos que fortalecer movimentos sociais é fortalecer a participação social e a democracia. É reconhecer que mudanças duradouras não acontecem apenas por meio de políticas formuladas de cima para baixo, mas também pela capacidade de pessoas e comunidades se organizarem, reivindicarem direitos, produzirem alternativas e disputarem os rumos da sociedade.
Por isso, apoiamos movimentos sociais e organizações de base comunitária que atuam pela justiça social e climática, pela igualdade racial e de gênero, pela defesa dos territórios e pela garantia de direitos. Apoiá-los é contribuir para que a organização popular tenha recursos, autonomia e condições para seguir transformando a realidade.
Missão, visão e valores
Missão
Fortalecer a autonomia de organizações populares – movimentos sociais e de base comunitária – e transformar a filantropia, valorizando saberes e práticas locais, semeando a filantropia solidária, e promovendo justiça social e climática.
Visão
Uma sociedade onde comunidades organizadas tenham acesso equitativo a recursos e poder, garantindo a defesa de seus territórios, direitos e modos de vida. Acreditamos firmemente que fortalecer as práticas da base e comunitárias é essencial para construir uma sociedade mais inclusiva, participativa e equitativa.
Valores
Autogestão
Acreditamos no poder da organização coletiva e na autonomia dos povos e comunidades na condução de seus processos.
Equidade
Atuamos para reduzir desigualdades e garantir justiça social, racial, de gênero e climática.
Compromisso com os territórios
Nosso trabalho parte dos saberes locais e fortalece as soluções criadas pelas próprias comunidades.
Transparência
Mantemos uma comunicação aberta e acessível sobre nossas ações, decisões e recursos.
Solidariedade
Construímos redes de apoio mútuo para enfrentar desafios coletivos e promover mudanças estruturais.
OBJETIVOS ESTRATÉGICOS
1
Fortalecimento de Organizações Populares – Apoiar e expandir o apoio técnico, financeiro e político para organizações populares, garantindo que elas atinjam maior autonomia na defesa de direitos.
2
Transformação das Práticas Filantrópicas – Incidir para transformar práticas filantrópicas em práticas mais solidárias e assim ampliar o acesso a recursos para organizações populares.
3
Fortalecer-se institucionalmente e sua sustentabilidade.
EQUIPE EXECUTIVA
Albert França
Diretor Executivo
Matheus Viana
Coordenador de Programas
Lavinia Pinheiro
Coordenadora de Formação
Tiffany Neris
Assessora de Operações
David Levy
Assessor de Projetos
Vivian Santana
Assessora de Operações
Pedro Santo
Assessor de Comunicação
Agata Rangel
Assessora de Comunicação
